Resultado de amplo debate, pesquisas e avaliações das práticas e ações educativas voltadas à preservação do Patrimônio Cultural, a portaria nº 137, de abril de 2016, publicada nesta sexta-feira, 29 de abril, consolida as atuais diretrizes com as quais o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem atuado no campo da Educação Patrimonial.

O documento apresenta um conjunto de marcos referenciais para a área enquanto prática transversal aos processos de preservação e valorização do patrimônio cultural. Entre eles está a diretriz que afirma que os processos educativos deverão primar pelo diálogo permanente entre os agentes sociais e pela participação efetiva das comunidades. Ao todo são oito diretrizes.

O texto também identifica o Projeto Casas do Patrimônio como instrumento estratégico de implementação da política de Educação Patrimonial. Assim, as Casas do Patrimônio – quando resultantes de um arranjo institucional entre o Iphan, a comunidade local, sociedade civil e demais instituições públicas e privadas  –  objetivarão a promoção de ações educativas, visando fomentar e favorecer a construção do conhecimento e a participação social para o aperfeiçoamento da gestão, proteção, salvaguarda, valorização e usufruto do patrimônio cultural brasileiro.

Ainda são indicados na portaria dois textos referenciais para a prática de Educação Patrimonial pelo Iphan: Educação Patrimonial: Histórico, conceitos e processos (2014) e a publicação Educação Patrimonial: inventários participativos (2016).

Confira a íntegra da Portaria.

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Em 2014, a Repep realizou o seu I Encontro de Trabalho que teve o objetivo de construir coletivamente a Rede e contou ampla presença de interessados em debater o que deve ser uma rede educativa no campo do patrimônio.

No 2o ENCONTRO DE TRABALHO serão apresentados os primeiros resultados de trabalhos que a Rede vem desenvolvendo por meio de seus GTs (Grupos de Trabalho), visando repensar estratégias de atuação e o que vem a ser o papel de um coletivo educador na área de patrimônio. Para tanto, contaremos com as mediadoras Ingrid Hötte Ambrogi, professora do Programa de Pós Graduação em Educação Arte e História da Cultura e do Curso de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e Sônia Regina Rampim Florêncio, Coordenadora de Educação Patrimonial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Durante o II Encontro também teremos o lançamento da publicação Educação Patrimonial: Inventários Participativos do IPHAN. A publicação   é um desdobramento do Programa Mais Educação, a partir de sua apropriação pela sociedade civil. É direcionada para uso livre de todos como um instrumento para a mobilização social por meio das referências culturais. A metodologia está sendo utilizada pela REPEP no GT Baixo Centro.

PROGRAMAÇÃO DO ENCONTRO:

9:00 – 9:30 | Credenciamento

9:30 | Abertura Museu da Imigração e apresentação REPEP

  • O que é educação patrimonial?

10:30: Mesa 1: Apresentação dos Grupos de Trabalho

  • GT Baixo Centro: O Inventário participativo: Minhocão contra gentrificação;
  • GT Brasilândia Ó: A vista da Freguesia do Ó;
  • GT São Luiz do Paraitinga: O material de apoio em Educação Patrimonial.

12:00 | Debate com o público

12:30 | Lançamento da publicação IPHAN:

Educação Patrimonial: Inventários Participativos

12:30 – 14:30 | Pausa para almoço e visita livre ao museu

14:30 | Mesa 2: Apresentação de Grupos de Trabalho e debates.

  • GT Bixiga: Ações desenvolvidas e desafios de atuação;
  • GT Paranapiacaba: Explorando problemáticas do território;

 

15:30 | Debate com o público

16:00 | Apresentação das debatedoras

  • avaliação dos trabalhos realizados e a perspectiva de ações futuras da Rede

17:00 | Debate e encerramento

 

Debatedoras confirmadas

  • Ingrid Hötte Ambrogi. Possui graduação em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1985), mestrado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (1998) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (2005). Atualmente é professora adjunta I do Programa de Pós Graduação em Educação Arte e História da Cultura e do Curso de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Desenvolve pesquisas nas áreas de História da Cultura e Educação com temáticas sobre processos educativos, prédio escolar, a cidade de São Paulo e organização de arquivos e acervos.
  • Sônia Regina Rampim Florêncio. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1988), especialização em Sociologia Rural pela Universidade Estadual de Campinas (1993), especialização em Políticas Públicas de Proteção e Desenvolvimento Social pela Enap (2013) e mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Atualmente é Coordenadora de Educação Patrimonial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Suas experiências de pesquisa e trabalho são:educação de jovens e adultos e educação patrimonial, metodologias participativas.

 

Data: 14 de maio de 2016 (sábado)
Horário: 9h – 17h30
Local: Museu da Imigração | Rua Visconde de Parnaíba, 1316 (melhor acesso pelo metrô Bresser-Mooca)

Inscrições gratuitas
Clique aqui.

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 Um desdobramento do Programa Mais Educação, realizado em parceria com o MEC, nas escolas públicas do Brasil, com o objetivo de fazer com que os alunos identificassem suas referências culturais. O uso nesses espaços fez com que a sociedade se apropriasse deste instrumento para além dos muros das escolas e fosse usado por grupos e comunidades a partir de uma linguagem que se comunica com os indivíduos, contudo sem formalizar o reconhecimento por parte das instituições oficiais de preservação.

O acesso ao Inventário Participativo é livre, podendo ser utilizado sem a necessidade de autorizações ou cessão de direitos. A ideia é fomentar a discussão sobre patrimônio cultural, disponibilizando mais uma forma de acesso da comunidade para que identifique e trave uma relação de conhecimento com suas referências culturais. Ainda, aborda o entendimento de elementos como território, convívio e cidade como possibilidades de constante aprendizado e formação, associando valores como cidadania, participação social e melhoria de qualidade de vida.

O patrimônio como desenvolvimento econômico e social e a comunicação como meio de interlocução social são pontos de ação do Iphan para os próximos anos. Dessa maneira, os inventários participativos se enquadram em uma abordagem contemporânea do patrimônio, em que a educação não é “bancária”, como abordava Paulo Freire, funcionando como um depósito de informações. Neste caso, a educação patrimonial propõe o questionamento e a produção do conhecimento dialógico, no qual a comunidade possa conversar entre si e pensar suas referências culturais.

A coordenadora de Educação Patrimonial do Iphan, Sônia Rampim Florêncio, acredita que foi dado um passo importante para se concretizar o processo de empoderamento da sociedade, uma vez que o instrumento é um caminho, uma ferramenta mas o conhecimento e a valoração é feita em sua totalidade pelas pessoas, pelo cotidiano dos indivíduos e sua relação coma cultura.

Experiência
Mestre em educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Alessandra Gama, utilizou o inventário, ainda no âmbito do Programa Mais Educação, com o Coletivo Salvaguarda da Capoeira de Campinas, que reuniu 12 grupos. O trabalho de inventariar as referências culturais, o exercício documental e de pesquisa impactou os processos de apropriação das expressões culturais que envolvem a capoeira e, agora, estão sendo sistematizados esses dados para que sejam apresentados à sociedade.

Alessandra Gama diz que a experiência reverberou na salvaguarda do patrimônio cultural e “despertou a noção de pertencimento a partir de uma prática mais educativa que tenha a ver com a cultura local, com a valorização da comunidade local tem a importância nas duas esferas para os bens culturais reconhecidos e para os bens que não necessariamente serão alvo de politicas públicas”.

Dessa maneira, o inventário participativo, pautado na política de educação patrimonial, passa a ser um instrumento multiplicador que resulta na produção de conhecimento por meio de diversas perspectivas.

O Inventário Participativo é uma ferramenta para a mobilização social em torno das referências culturais. Ele nasceu como um material pedagógico para o Programa Mais Educação, portanto, direcionado ao contexto escolar. No entanto, sua apropriação pela sociedade civil e pelas comunidades se deu por demandas espontâneas. Tivemos notícia de que Pontos de Cultura, Pontos de Memória, comunidades indígenas e quilombolas já estavam auto inventariando suas referências culturais utilizando o Material do Programa Mais Educação. Foi daí que surgiu a ideia de transformar a linguagem do inventário, inicialmente preparado para as escolas, e direcioná-los para as comunidades e pra toda sociedade. Acreditamos muito no caminho de fortalecimento do protagonismo das comunidades em evidenciar a cultura como eixo de desenvolvimento local.

Link para baixar:
http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/InventarioDoPatrimonio_15x21web.pdf

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Com o tema “Nossos Lugares, Nossas Memórias” e integrando a programação dos 290 anos de Fortaleza, a sétima edição do Seminário do Patrimônio Cultural acontece de 27 a 29 de abril, no Museu da Indústria. A programação visa despertar o olhar do fortalezense sobre questões relativas à memória e ao direito a elas, a partir da identificação e do reconhecimento dos bens culturais materiais e imateriais de nossa cidade.
 
As inscrições estão abertas e os participantes com, no mínimo 75% de presença, terão direito à certificado. Interessados deverão se inscrever através do formulário online  disponível em https://goo.gl/MxNJ3l. Estão sendo ofertadas 150 vagas, que serão preenchidas por ordem de inscrição.
 
 A programação é gratuita e contará com palestrantes e mediadores locais e nacionais que são referência no tema. Entre os destaques a palestra “Memórias, lugares e identificação com o patrimônio cultural”, com Regina Abreu (doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com experiência em Memória Social, Patrimônio Cultural, Museus, Audiovisual e Estudo de Trajetórias); e as mesas redondas “Visibilidade, Ambiência e Integração: os desafios de proteção do entorno de bens tombados”, com Sônia Rabello (Presidente da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro) e Natália Miranda Vieira (Universidade Federal de Pernambuco) e “Tecnologia e patrimônio cultural: estratégias de pertencimento na cidade”, com Giselle Beiguelman (Universidade de São Paulo), Cláudia Marinho (Universidade Federal do Ceará) e Eurico Vasconcelos (Universidade de Fortaleza)

Maiores Informações em: http://www.fortaleza.ce.gov.br/smc/noticias/cultura/7o-seminario-do-patrimonio-cultural-discute-memoria-e-acontece-de-27-29-de

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Até o dia 25 de abril de 2016, o processo de inscrição para a 29ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O edital é voltado ao reconhecimento e à promoção de ações de preservação do patrimônio e que tenham relevância pública. Em 2016, serão contemplados oito projetos com o valor de R$ 30 mil.

Mais informações:
http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/3487/premio-rodrigo-esta-com-inscricoes-abertas-para-projetos-em-patrimonio-cultural

Desde 2008, a roda de capoeira está no rol dos patrimônios culturais imateriais do Brasil declarados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Diretamente ligada à história da resistência negra – tanto durante como depois da escravidão –, em 2014, a herança cultural afro-brasileira ganhou o mesmo título da UNESCO, desta vez consagrando-a como um patrimônio da humanidade.

Diferentemente do tombamento de prédios históricos, o registro embasa o desenvolvimento de políticas públicas para a manutenção e ampliação deste patrimônio imaterial. Foi ele, inclusive, o ponto de partida para que o Instituto Ibaô, projeto de preservação e memória da capoeira sediado em Campinas, pudesse repensar seu papel nacomunidade local.

“O que significa ser um patrimônio cultural? Nessa busca, tivemos contato com discussões amplas de patrimônio e preservação da memória, e também com um viés metodológico, de educação patrimonial”, afirma Alessandra Gama, coordenadora de projetos do Ibaô, que hoje funciona como Ponto de Cultura e Memória.

Fundado em 2007, o Instituto é resultado do resgate de uma prática cultural tradicional que remete ao início dos anos 1980, na Vila Padre Manoel da Nobrega, região periférica de Campinas. Ali, o mestre Tedi utilizava a capoeira para dialogar com a construção e ressignificação dos registros culturais afro-brasileiros presentes na comunidade.

Fundado em 2007, o Instituto Ibaô é fruto de uma prática tradicional que remete ao início dos anos 1980 na Vila Padre Manoel da Nobrega, em Campinas.

Essa perspectiva permitiu que os capoeiristas ampliassem o leque de atividades oferecidas ao público e, por consequência, suas interfaces com a cultura. “A ampliação se deu porque o grupo recebeu integrantes, participantes, colaboradores e voluntários de vários locais da cidade e de outras áreas do conhecimento”, afirma Alessandra.

Hoje, o Ibaô fortalece e dissemina as raízes da cultura afro-brasileira por meio de práticas educativas e artísticas que visam à formação da cidadania, das relações étnicas e de identidade cultural. Para tanto, oferece atividades abertas à comunidade que vão muito além da roda de capoeira: oficinas culturais, grupos de leitura e estudo, palestras e seminários, visitas monitoradas, danças tradicionais e cultura digital, entre outras.

Inventário Comunitário

Valorizar a cultura local e difundir o patrimônio imaterial existente ali virou prioridade. “Já éramos um espaço de convivência cultural. Passamos então a pensar criticamente esse espaço”, aponta a coordenadora. Celebrações como a folia de reis e a lavagem das escadarias de Campinas, eventos como a feira de artes e antiguidades e expressões como o Jongo passaram a ser inventariadas nas oficinas.

Atualmente, o Ibaô, que já recebe a visita de escolas municipais, está iniciando uma parceria com a Secretaria de Educação para desenvolver oficinas de inventário com docentes da rede. Para a pesquisadora daFaculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e curadora de arte, Ana Pato, inventários de patrimônio como os propostos pelo Ibaô e pela coordenação de Educação Patrimonial do Iphan são fundamentais para criar relações de confiança com a comunidade e dar vida a lugares a partir de sua própria história.

“Como moradora da minha rua, eu posso me juntar a outras pessoas e decidir que essa casa é importante para a gente e que faça parte do inventário. A gente preserva coisas quando aquilo faz sentido para o coletivo. Cria-se assim outra dimensão para a questão do patrimônio cultural, tornando-o visível”, observa.

Fundado em 2007, o Instituto Ibaô é fruto de uma prática tradicional que remete ao início dos anos 1980 na Vila Padre Manoel da Nobrega, em Campinas.

Alessandra reforça o papel da comunidade nas decisões sobre os patrimônios locais. “Envolver a comunidade no processo de documentação, registro, mapeamento e recomendações para a salvaguarda dispara o pertencimento social e cultural dos envolvidos. Esse processo permite com que as pessoas aprendam, absorvam e passem a ser multiplicadoras dessa proteção, atuando diretamente pelo interesse coletivo”, define.

Para ela, o reconhecimento coletivo do patrimônio cultural ainda carrega uma importância prática: contribui para o combate ao racismo e ao preconceito em relação à cultura afro-brasileira nos espaços sociais em que isso ainda é presente, como as escolas, os espaços públicos e os próprios centros culturais da cidade.

Por: Danilo Mekari (Portal Aprendiz)
http://portal.aprendiz.uol.com.br/2016/04/11/em-campinas-comunidade-cria-inventario-e-define-o-que-e-patrimonio-imaterial/

Seminário da REM promove debate sobre educação e acessibilidade

O VII Seminário da REM-Goiás (Rede de Educadores em Museus) acontece de 12 a 15 de abril, no Centro Cultural da UFG. Em 2016, tem como o tema AMA – Arte, Museus e Acessibilidade.

O objetivo do seminário é propor debates e promover discussões acerca da Arte enquanto elemento estético criador de subjetividades e que proporciona percepções, sensibilidade e emoções; Museus para além das instituições tradicionais, como processos de musealização, construtores de ações de salvaguarda e comunicação do Patrimônio Cultural – material ou imaterial e Acessibilidade enquanto direito do cidadão em ter acesso à memória, ao patrimônio e às referências culturais como política pública e direito do cidadão.

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Em sua sétima edição, o Seminário da REM-Goiás é um evento significativo, que reúne integrantes da comunidade acadêmica, pesquisadores e profissionais da área da Museologia se consolidando como o encontro de maior amplitude e significância no campo da Museologia na região Centro-Oeste. Entre as conquistas já alcançadas pelos debates e discussões realizados nos Seminários da REM-GO estão o fomento e a melhoria das ações educativas de museus e instituições culturais, proveniente da integração de pesquisadores, profissionais liberais, alunos de graduação e de pós-graduação associados a essas instituições culturais.

A partir da perspectiva de interação de desafios e a troca de experiências, o Seminário apresenta como resultado de edições anteriores à formação continuada de profissionais da Educação Básica e a ampliação da utilização dos Museus e do Patrimônio Cultural, da Arte e da Cultura como material pedagógico e espaço de aquisição conhecimentos e nos processos de ensino-aprendizagem, conforme estabelecem as diretrizes do Ministério da Educação do Brasil (1997) e da UNESCO (1996).

Maiores Informações:
Facebook – Rem

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